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PET, em 2020 mostrou sua força e flexibilidade

PET

Diante de toda essa turbulência, indefinições e mudança de hábitos de consumo nesses tempos de Covid-19, é possível dizer que o setor do PET conseguiu um bom desempenho em 2020, em razão de investimentos feitos nos últimos anos, na casa das centenas de milhões de dólares. Com isso, o Brasil possui um ótimo posicionamentos em razão da capacidade instalada, tanto para produção de resina PET virgem, da ordem de um milhão de toneladas / ano, como na produção de preformas e garrafas. No caso do PET reciclado, a capacidade de produção brasileira já atinge cerca de 450 mil toneladas / ano.

As capacidades mencionadas acima são bastante suficientes para abastecer todo o consumo interno que em 2019 foi de 596 mil t/ano de resina virgem e de 311 mil t/ano do material reciclado, e ainda sobra para algumas exportações. O parque industrial brasileiro como um todo conta com tecnologia totalmente atualizada, garantindo qualidade e produtividade capazes de atender às exigências dos mercados mais desenvolvidos. Somado a isso, a agilidade, a diversidade de aplicações e a flexibilidade de formatos foram determinantes para que o PET se moldasse, literalmente aos novos hábitos de consumo.

Todos esses fatores levaram a uma retomada mais rápida do setor em 2020, após o pior momento, vivido entre os meses de março e abril, quando prevíamos que pandemia causaria um impacto negativo de 5% no setor. O que ocorreu, no entanto, foi uma total reversão de expectativas, que nos leva a apontar para o mesmo porcentual neste momento, mas com viés positivo.

Diferenças entre setores

Mas esse bom desempenho ao longo do ano não foi homogêneo nem desprovido de desafios.

Alguns setores foram mais impactados no inicio da pandemia, especialmente em abril. Refrigerantes e sucos naturais chegaram a ter queda de até 35% nas vendas naquele mês. Essa redução foi compensada pelo verão aquecido dos meses anteriores (janeiro – fevereiro), com ótimo desempenho, além de retomada do consumo a partir de agosto. A estimativa é que esse mercado teve uma redução entre 8% e 10% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.

O caso da água foi inverso. Houve explosão de consumo nos primeiros momentos da pandemia, em razão da estocagem do produto, com dificuldade de abastecimentos das prateleiras dos supermercados. A situação se normalizou posteriormente, diante da percepção sobre a falta de necessidade de compras volumosas do produto.

As embalagens para óleo comestível não sofreram redução na demanda, ao contrário, tiveram alguns meses mais aquecidos do que em 2019, uma vez que o consumo do produto em embalagens PET é tradicionalmente residencial, favorecido pelo isolamento.

A boa surpresa veio do segmento de produtos para limpeza e saneantes, que normalmente são abastecidos tanto por embalagens fabricadas com resina virgem quanto reciclada, somando ao consumo adicional impulsionado pela forte fabricação de álcool em gel, com novas embalagens e marcas. No que diz respeito às embalagens PET, este mercado deverá fechar o ano com demanda superior a 10% em relação a 2019.

Vale lembrar, ainda, outras novas aplicações, como as bandejinhas termoformadas para embalagem de alimentos, muito utilizadas por serviços de delivery. Este novo segmento foi atendido dentro de uma onda em que os plásticos de modo geral demonstraram a sua importância diante da necessidade de acondicionar produtos de maneira segura e higiênica.

Atenção com a reciclagem

Quando falamos da reciclagem, no entanto, o cenário muda. A expectativa é de forte redução no volume consolidado até o final do ano, por razões externas ao setor. No auge da pandemia, com a necessidade de um correto isolamento, milhares de catadores deixaram de coletar as embalagens pós-consumo que alimentaram os sistemas produtivos dos recicladores.

Essa é uma dificuldade que está relacionada com a carência de sistemas públicos robustos de coleta seletiva, que evoluíram muito pouco, mesmo passados dez anos da implantação da política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Com isso, a ociosidade da capacidade instalada do setor da reciclagem, que normalmente gira em torno de 30%, chegou a 50% em alguns meses.

A despeito disso, o Brasil segue sendo um dos líderes mundiais na reciclagem do PET, com 55% das embalagens efetivamente recicladas em 2019. O volume equivale a 311 mil toneladas do produto – 12% acima do registrado em 2018 -, que geraram um faturamento de mais de R$3,6 bilhões, ou 36% do faturamento total do setor do PET no Brasil.

O desempenho positivo é reflexo do fortalecimento da economia circular, composta por uma indústria diversificada, que utiliza o PET reciclado em seus produtos. A grande revolução tecnológica transformou o material no único plástico autorizado pela Anvisa para o envase de alimentos, com a produção de ambalagens em grau alimentício (food grade). Atualmente, o segmento de ambalagens responde pelo uso de 23% do PET reciclado no Brasil e deverá ser decisivo para evitar ter uma queda ainda maior no uso do material, diante da perspectiva de redução do consumo por parte da indústria têxtil e química, que são os outros grandes usuários do produto.

Existe um grande esforço sendo feito neste momento, para que a cadeia produtiva do PET – virgem, em preforma ou reciclado – mantenha o vigor de anos anteriores. Em um dos piores anos em um ´seculo, a embalagem foi colocada à prova e demonstrou sua capacidade de ser uma opção econômica, socialmente importante e amiga do meio ambiente. Com essas características, o setor seguirá firme, para entrar em 2021 ainda mais forte, atendendo às demandas da sociedade e totalmente adaptada às novas exigências da economia circular.

Texto de: Auri Marçon

Revista: Plastico Moderno Ano N°548